Lar Região Flávio descarta Eduardo Bolsonaro, alvo de empresários, no Itamaraty

Flávio descarta Eduardo Bolsonaro, alvo de empresários, no Itamaraty

por danielrittner
flavio-descarta-eduardo-bolsonaro,-alvo-de-empresarios,-no-itamaraty

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descarta a possibilidade de um convite ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro para assumir o Ministério das Relações Exteriores caso vença as eleições presidenciais de outubro, segundo aliados próximos, que reconhecem preocupações crescentes no meio empresarial com essa possibilidade.

Em um almoço recente em Brasília, por exemplo, seis dirigentes da indústria criticavam a política externa do governo Lula (PT) e direcionavam suas falas mais ácidas ao assessor internacional da Presidência da República, Celso Amorim.

Até que um deles, mesmo reiterando as críticas, levou o seguinte questionamento à roda de empresários: e se Eduardo, hoje morando nos Estados Unidos e tido como um embaixador informal do bolsonarismo no exterior, for designado pelo irmão para comandar o Itamaraty?

A reação dos demais homens de negócios, presenciada pela CNN, foi de rechaço unânime à hipótese. Todos eles associaram o filho Zero Três do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros, à proximidade com líderes mundiais da direita antiglobalista e ao debate de temas relacionados à agenda de costumes, que pouco cativam o empresariado.

Reservadamente, um interlocutor direto de Flávio afirma que ele pretende valorizar as contribuições do irmão na área internacional caso chegue ao Palácio do Planalto, mas não cogita nomeá-lo para o Itamaraty e quer privilegiar a diplomacia profissional.

De acordo com esses aliados, pode-se pensar na indicação de Eduardo para um posto menos estratégico nos Estados Unidos, onde continuaria atuando e facilitando contatos para um eventual governo Flávio, mas sem protagonismo.

A título de exemplo, segundo relatos feitos à CNN, fala-se no filho Zero Três como um potencial embaixador do Brasil junto à OEA (Organização dos Estados Americanos). A entidade tem sede em Washington.

Outros interlocutores afirmam que o nome de Eduardo ficou muito vinculado ao governo Trump, que tem enfrentado destaques mesmo com a base conservadora.

Temas como o prolongamento da guerra no Irã e, principalmente, o embate aberto pelo presidente americano com o Papa Leão XIV têm gerado desgastes junto ao eleitorado de direita.

Da mesma forma, aliados de Flávio não veem a possibilidade de retorno do ex-assessor internacional Filipe Martins ao Palácio do Planalto.

Eles garantem que, em caso de uma vitória dele nas eleições de outubro, Martins seria beneficiado com uma anistia “ampla e irrestrita” prometida por Flávio.

O ex-assessor de Bolsonaro foi condenado a 21 de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. De acordo com o STF, ele participou de reuniões e auxiliou na elaboração da chamada “minuta do golpe”,

No entanto, interlocutores enfatizam que Martins — um dos expoentes da chamada “ala ideológica” do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022 — muito dificilmente voltaria a uma posição no Planalto. Eles lembram que o ex-assessor é próximo de Eduardo e de Carlos Bolsonaro, mas tem bem menos influência sobre Flávio.

Você também pode gostar