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Suspensão de frigorífico pela China acende alerta para risco sanitário

por cristianenoberto
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A suspensão de um frigorífico brasileiro pela China acendeu um alerta no setor de proteína animal e no governo, em meio à crescente preocupação das autoridades chinesas com a presença de resíduos em carne importada.

Segundo avaliação técnica de autoridades brasileiras envolvidas nas tratativas com Pequim, episódios desse tipo podem deixar de ser tratados como casos isolados e passar a ser interpretados como um problema sistêmico — o que aumenta o risco de endurecimento sanitário contra o Brasil.

Na prática, o movimento já pode se traduzir em maior rigor na fiscalização. A tendência é de ampliação da amostragem de cargas brasileiras nos portos chineses, elevando a probabilidade de novas detecções e, consequentemente, de restrições adicionais aos exportadores.

A leitura dentro do governo é que o tema ganhou prioridade na interlocução com a China e já foi tratado em reuniões recentes entre equipes técnicas dos dois países.

O alerta ocorre após a suspensão de uma unidade frigorífica em Várzea Grande (MT), registrada sob o SIF (Serviço de Inspeção Federal) 1206, operada pela Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados, ligada à Frigosul.

O bloqueio foi motivado pela detecção de uma substância em um lote exportado. O caso ainda está em apuração.

Agora, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) conduz uma investigação para identificar a origem do problema e encaminhar as informações à GACC (Administração Geral de Aduanas da República Popular da China), responsável pela fiscalização sanitária no país asiático.

A avaliação técnica é que a chave para evitar novos episódios está no reforço dos controles ao longo da cadeia produtiva, especialmente no uso de medicamentos veterinários nas fazendas.

O entendimento é que a orientação ao produtor rural e o aprimoramento dos programas de autocontrole dos frigoríficos são centrais para garantir que os embarques atendam aos limites exigidos pela legislação chinesa.

Em nota, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirmou que acompanha o caso em conjunto com o Mapa e que a carga envolvida já foi descartada, conforme os protocolos sanitários.

“O Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A carga já foi devidamente descartada, a pedido das autoridades chinesas, conforme os protocolos sanitários”, diz o texto.

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira e concentra mais de 40% das exportações do produto, o que amplia o impacto potencial de qualquer mudança no padrão de fiscalização.

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