Israel e Líbano anunciaram um cessar-fogo de dez dias, começando às 18h de hoje, abrindo caminho para uma negociação histórica entre os dois países. A trégua também torna mais fácil o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, já que o fim dos bombardeios contra o Líbano tem sido uma das exigências iranianas para o fim do conflito.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, afirmou que essa é uma chance para que Israel e Líbano cheguem a um acordo histórico. Mas negou a retirada das tropas do sul do Líbano. Disse que Israel continuará a ocupar uma faixa de 10 quilômetros no território libanês para criar uma zona de segurança. Atualmente Israel ocupa 30 quilômetros entre a fronteira dos dois países e o rio Litani.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo tem concordância do Hezbollah. Só que o grupo havia dito mais cedo que exige a retirada total das tropas israelenses do Líbano.
As Nações Unidas e a União Europeia comemoraram o anúncio e pediram paz duradoura na região.
Em Beirute há esperança. Mas também ceticismo. Ibraim disse que a casa dele no sul foi totalmente destruída e por isso ele seguirá nas ruas até que as coisas melhorem.
Fadi também não acredita no fim dos ataques, porque acha que o Hezbollah não irá entregar as armas. Além disso, ele diz que os israelenses acreditam que o Líbano faz parte do que chamam de Grande Israel. Por isso, mesmo que haja um cessar-fogo agora, em 5 ou 10 anos a guerra pode recomeçar.
Por agora, a trégua temporária é bem-vinda, inclusive para as negociações entre Estados Unidos e Irã, já que uma das exigências de Teerã para acabar com a guerra é o fim dos ataques israelenses contra o Líbano.
Segundo a mídia norte-americana, o país teria enviado mais de 10 mil soldados para o Oriente Médio como forma de pressionar o Irã. Trump, porém, se disse otimista em relação a um acordo. O presidente afirmou hoje que o Irã teria concordado em não buscar mais a produção de armas nucleares e que os dois países podem chegar a um entendimento já no fim de semana.
O Irã, no entanto, não ainda não se pronunciou sobre essa última declaração de Trump.
Israel inicia operação terrestre no Líbano; 800 mil estão desabrigados
Israel iniciou operações terrestres no Líbano. Segundo o governo israelense, o objetivo é destruir a infraestrutura do Hezbollah. A operação se concentra no sul do Líbano, de onde milhares de moradores tiveram que fugir nas últimas semanas por causa dos ataques. Mais de 800 libaneses foram mortos no país desde o início dos bombardeios e 800 mil estão desabrigados.
Doa está em um abrigo com a filha pequena e diz que torce para que os ataques acabem não voltem.
“Quero que minha filha viva sem passar por isso. Minha geração passou a vida inteira em meio a guerras”, disse ela.
Israel também anunciou uma nova onda de ataques contra a capital iraniana, Teerã. Até agora, mais de 1,3 mil pessoas morreram no país e não há a perspectiva de que o conflito acabe nos próximos dias.
Hoje, 16, o ministro de relações exteriores do Irã, Abbas Araghchi, negou que tenha pedido um cessar-fogo aos Estados Unidos e diz que a guerra deve acabar de uma forma que ela não se repita mais. Araghchi também disse que o Estreito de Ormuz, canal por onde passa boa parte do petróleo mundial, não está totalmente fechado e que o bloqueio é apenas para países aliados dos Estados Unidos e Israel na guerra.
No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã havia solicitado um cessar-fogo e teria pressionado países aliados, e que dependem do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, a ajudarem na liberação do canal. Ele citou, inclusive, a China. As respostas até agora têm sido, na maioria, negativas. O ministro da defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse que essa não é uma guerra alemã. “Não começamos esse conflito”, disse ele. Itália e Grécia também rejeitaram o pedido de Trump.
A Coreia do Sul disse que tomou nota do pedido, mas não respondeu ainda. A China não se manifestou.
*Com informações da agência Reuters
