O diretor iraniano Jafar Panahi, 65, foi condenado a um ano de prisão pelo governo do Irã no início de dezembro de 2025. Fora do país para a promoção de seu longa “Foi Apenas Um Acidente” – que recebeu uma dupla nomeação ao Oscar 2026n -, o cineasta tem planos de voltar ao seu país natal após a premiação.
Depois de viajar o mundo para turnê promocional do longa, o diretor afirmou ao The Hollywood Reporter que pretende retornar ao seu país natal. “No dia em que eu terminar meu trabalho aqui, retornarei ao Irã”, disse em uma entrevista feita em Nova York para a revista. “Eu tenho essa conexão com o Irã, e é o lugar onde aceitei todos os desafios e preços por ser eu mesmo.”
Ele reflete que acredita que “sente que conhece o contexto de seu país”, e enquanto viaja pelo mundo não sente o mesmo conhecimento e percepção de quando está em sua terra natal. “Conheço os murmúrios diários daquele país, daquela cultura e sociedade — e é aí que posso trabalhar. (…) Para mim, não faz diferença o que as pessoas pensam ou entendem sobre a minha decisão. É apenas o que eu sinto e preciso ser fiel a isso. (…) As pessoas aqui (nos EUA) nunca entenderão por que certas pessoas lá fora tomam essas decisões.”
O cineasta compara o seu caso com outros realizadores pelo mundo que também enfrentam desafios semelhantes aos seus, como Behtash Sanaeeha e Maryam Moghaddam de “Meu Bolo Favorito”, que estão proibidos de sair do Irã e de trabalhar no país. “Todos nós compartilhamos essa dor e aceitamos o preço por ela”, acrescenta e faz uma segundo paralelo com outras estrelas iranianas que decidem ficar e desafiar o seu governo. “Quando penso nelas, me pergunto: ‘Em que sou diferente de qualquer outra pessoa que vive lá?’.”
Com o retorno marcado para o Irã após 15 de março, data do Oscar 2026, Panahi pode voltar ao seu país com duas estatuetas na mala Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional – que compete com “O Agente Secreto”. Em 1º de dezembro de 2025, ele foi condenado por “atividades de propaganda” contra o governo de seu país natal. Na época, seu advogado, Mostafa Nili, explicou que a sentencia incluía um banimento de viagens com duração de dois anos e a proibição de se associar a quaisquer grupos políticos e sociais.
Panahi já foi detido várias vezes por suposta propaganda contra o regime iraniano e preso duas delas — libertado somente após entrar em greve de fome. Ele continuou fazendo filmes mesmo após ser expressamente proibido de fazê-lo. Ele é conhecido como um dos maiores diretores vivos do cinema iraniano por obras como ” O Círculo” (2000), ” Fora do Jogo” (2006), “Isto Não É um Filme” (2011), “Taxi Teerã” (2015) e “Sem Ursos” (2022) — o último, vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Veneza de 2022.
*Com informações de Giovana Christ.
