Lar Região “Queremos ser pais”: os sinais de que é hora de investigar infertilidade

“Queremos ser pais”: os sinais de que é hora de investigar infertilidade

por thomaz.sousa
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Enquanto muitas famílias celebram o Dia dos Pais neste domingo (9), para outros homens a data também marca expectativa de viver a paternidade em um futuro. É o caso do professor Francisco Euclides, de 40 anos, que é casado há 11 e tenta ter um filho com a esposa há cerca de um ano e meio.

A espera, segundo ele, é acompanhada por diferentes sentimentos e pela tentativa de controlar a ansiedade diante de algo que o casal não consegue prever.

“É um misto de emoções, eu tento não ficar tão ansioso, com receio de que isso atrapalhe o processo e eu acabe me decepcionando por demorar ou até nem acontecer”, conta Francisco à CNN Brasil.

Com a proximidade do Dia dos Pais, o desejo acaba ficando ainda mais presente.

“É uma sensação ruim, já que nem tenho tanto contato com meu próprio pai e vejo os amigos da minha idade com seus filhos, porém sempre penso que ano que vem pode ser eu”, afirma.

A experiência de Francisco também chama atenção para uma questão de saúde que nem sempre é investigada desde o início. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme os dados apresentados pelo urologista e andrologista Pedro Bastos, a infertilidade masculina está presente em aproximadamente 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, seja como causa exclusiva ou associada a fatores femininos.

De forma geral, a investigação é recomendada quando o casal mantém relações sexuais regulares, sem utilizar métodos contraceptivos, durante 12 meses sem conseguir uma gravidez.

O período cai para seis meses quando a mulher tem 35 anos ou mais. A avaliação também pode ser antecipada quando existem fatores de risco conhecidos, como histórico de criptorquidia — quando um ou os dois testículos não descem para a bolsa escrotal —, varicocele importante, cirurgias nos testículos, quimioterapia ou infecções.

Segundo Bastos, um erro ainda comum é concentrar inicialmente a investigação apenas na mulher.

“Homens e mulheres devem ser avaliados simultaneamente. Enquanto a parceira realiza a investigação ginecológica, o homem deve passar por avaliação urológica e realizar um espermograma, que é um exame simples, acessível e capaz de fornecer informações importantes sobre a fertilidade. Investigar apenas um dos parceiros costuma atrasar o diagnóstico e o início do tratamento”, afirma.

Infertilidade masculina pode ser silenciosa

A ausência de problemas na vida sexual não significa necessariamente que a fertilidade esteja preservada. Isso porque alterações na quantidade ou na qualidade dos espermatozoides podem existir sem provocar sintomas perceptíveis.

“Muitos homens apresentam vida sexual normal, libido preservada e ereções adequadas, mas possuem alterações na produção ou na qualidade dos espermatozoides. Em grande parte das situações, o diagnóstico só acontece quando o casal inicia a investigação por não conseguir engravidar”, explica Bastos.

Entre as principais causas está a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias ao redor dos testículos, que pode prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides.

Também podem comprometer a fertilidade:

  • Alterações hormonais e genéticas;
  • Infecções;
  • Obstruções dos canais que transportam os espermatozoides;
  • Criptorquidia na infância;
  • Uso de testosterona e anabolizantes;
  • Tratamentos como quimioterapia e radioterapia.

Há ainda fatores relacionados ao estilo de vida: tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, falta de sono, estresse crônico e exposição frequente ao calor intenso, pesticidas ou determinados produtos químicos podem afetar a qualidade seminal.

Espermograma é principal exame

A investigação começa pela análise do histórico clínico, reprodutivo e familiar do homem e por um exame físico feito pelo urologista.

O principal exame utilizado é o espermograma, que permite avaliar características como concentração, movimentação e formato dos espermatozoides.

Dependendo do caso, o médico também pode solicitar exames hormonais, ultrassonografia com Doppler da bolsa escrotal para investigar varicocele, testes genéticos e análises mais específicas, como a fragmentação do DNA espermático.

Infertilidade masculina tem tratamento?

O diagnóstico de infertilidade masculina não significa necessariamente que o homem não poderá ter filhos. Segundo Bastos, diferentes causas podem ser tratadas ou apresentar melhora.

“Quando existem fatores modificáveis, mudanças no estilo de vida, como perda de peso, abandono do tabagismo, redução do consumo de álcool, melhora da qualidade do sono e prática regular de atividade física, as chances são altíssimas. Já nos casos de varicocele com indicação cirúrgica, a correção pode melhorar os parâmetros seminais e aumentar as chances de gravidez. Vale lembrar que, mesmo quando a gestação natural não é possível, as técnicas de reprodução assistida representam uma alternativa para muitos casais”, pontua.

Em determinadas situações, medicamentos também podem ser utilizados para tratar alterações hormonais ou estimular a produção de espermatozoides. Técnicas de reprodução assistida são outra possibilidade quando a gravidez natural não ocorre.

“Queremos ser pais”

Para Francisco e a esposa, as tentativas continuam, mas o casal procura evitar que a expectativa pela chegada de um filho passe a definir o relacionamento.

“A gente conversa bastante sobre o assunto, buscando manter o bom relacionamento além da questão dos filhos, para que isso não domine sobre o nosso casamento e acabe nos prejudicando. Há dias em que eu estou mais preocupado com esse ponto, há outros em que ela é quem está ansiosa, mas o diálogo é muito importante sempre”, relata.

A expectativa dos dois é conseguir uma gravidez ainda neste ano e receber o filho em 2027. Mas eles também já conversam sobre outro caminho para concretizar o desejo da paternidade: a adoção.

“Queremos ser pais e contribuir na criação de uma criança, com muita responsabilidade e amor”, diz Francisco.

Para Bastos, enfrentar a infertilidade como uma questão do casal é importante também para diminuir sentimentos de culpa e evitar que apenas um dos parceiros carregue a responsabilidade pela dificuldade de engravidar.

“O mais importante é que o casal enfrente esse processo junto, com informação de qualidade, acompanhamento especializado e expectativas realistas, lembrando que, na maioria das situações, há alternativas capazes de aumentar significativamente as chances de realizar o sonho da paternidade”, finaliza.

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