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PT se reúne com foco em eleição presidencial e divisão sobre alianças

por renatasouza
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O PT (Partido dos Trabalhadores) se reúne a partir desta sexta-feira (24) e define diretrizes para sua atuação no futuro próximo — o que inclui as eleições de 2026. O encontro terá como foco principal a disputa presidencial e é marcado por divisões sobre possíveis alianças com a centro-direita.

A principal divergência que permeia o encontro, sobre as alianças, apareceu já na composição preliminar do programa político do partido. O documento será analisado e aprovado no congresso deste final de semana.

A primeira versão do texto, elaborado por uma subcomissão liderada pelo ex-ministro José Dirceu, defendia as alianças ao argumentar que “o avanço da extrema-direita não eliminou a existência de setores liberais comprometidos, ainda que de forma limitada, com a legalidade constitucional e com a estabilidade democrática”.

“A distinção entre extrema-direita autoritária e direita liberal é decisiva para a tática política, ainda que não elimine as divergências estruturais em torno do modelo de desenvolvimento, da distribuição de renda e do papel do Estado”, indica o programa.

Uma emenda apresentada por Maria Carlotto, Natália Sena, Breno Altman e Valter Pomar abriu divergência sobre o programa político. Dirceu compõe a CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente interna mais influente do PT e que conta também com o presidente Lula, enquanto o grupo faz parte da tendência AE (Articulação de Esquerda).

Os militantes da AE afirmaram na emenda não concordar com a tática de alianças com a “direita democrática”. Eles argumentaram que com isso “predominaria uma orientação do partido como instrumento essencialmente eleitoral, voltado a conquistar votos e mandatos”.

“Justamente pela magnitude da crise, do ponto de vista do programa e da estratégia partidária, seria vital apontar para uma ruptura com este sistema, colocando no centro o acúmulo de forças para a construção de uma alternativa, ou seja, uma sociedade não capitalista, portanto, socialista e um horizonte de transformação radical do Brasil”, escrevem.

Dirceu ainda escreveu uma “tréplica”. No texto, o ex-ministro questiona se o partido tem “força política e organizativa para essas tarefas”.

“Temos partidos, organizações sociais e populares, direção e capacidade política para colocar na ordem do dia uma ruptura e uma mudança de sistema econômico e político no país?”, questiona.

Majoritária, a CNB deve ter força para aprovar o programa político que sugere alianças com “setores liberais”.

O presidente Lula não deve contar com siglas do chamado centrão formalmente em sua coligação para 2026. O partido trabalha, porém, para afastá-las da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Um cenário considerado positivo seria a liberação das legendas do centrão para que seus quadros escolham o presidenciável que preferem apoiar — dessa maneira o petista poderia atrair parcelas das siglas.

O 8º Congresso Nacional do PT reúne os principais quadros do partido — desde o presidente Lula e ministros à executiva nacional e quadros históricos. O encontro se inicia nesta sexta e se estende até o domingo (26).

Saem da reunião documentos como o novo programa político do partido, as táticas eleitorais para este ano, as sugestões para o plano de governo de Lula e o estatuto interno da legenda.

Um dos principais eixos do programa de governo a ser sugerido a Lula é chamado de “bem viver”. A ideia da cúpula do partido é pegar carona na popularidade do debate do fim da escala 6×1 e propor uma série de medidas voltadas ao bem-estar social.

Segundo apuração da CNN, a avaliação é de que o apelo dessas medidas vão além das classes mais populares e chega às classes médias – público no qual o partido encontra maior resistência.

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