Lar Internacional Na ONU, Lula diz que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Na ONU, Lula diz que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”

por Gabriel Correa - Reporter da Radio Nacional
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Multilateralismo, Soberania e Democracia. Esses foram os principais temas defendidos no discurso do Presidente Lula na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York. O presidente Lula falou por cerca de 20 minutos, para representantes dos 193 Estados-membros da ONU. Aproximadamente 130 líderes estão reunidos para discutir as guerras atuais e os riscos do desenvolvimento descontrolado de Inteligência Artificial.

Lula afirmou que a ONU vive seu momento mais crítico desde que ele discursou na tribuna pela primeira vez, em 2003, criticando abertamente o poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Segundo o presidente, o ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”.

Lula foi aplaudido ao relembrar que a Assembleia Geral reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o maior crime contra a humanidade. O presidente também criticou tanto as ações de Israel em Gaza quanto os atos terroristas do Hamas contra civis inocentes. O presidente brasileiro também condenou agendas ideológicas, investidas por recursos naturais e a ingerência externa em processos eleitorais. Lula citou os desafios enfrentados na América Latina, mencionando Venezuela, Nicarágua e o embargo a Cuba.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

Lula criticou a ingerência externa nas eleições brasileiras e defendeu a cooperação internacional para conter o financiamento e o fluxo ilegal de armas. Ele destacou que entregou pessoalmente uma proposta ao presidente dos Estados Unidos, e defendeu que a solução exige ações de inteligência e combate à lavagem de dinheiro, e não ameaças militares ou envio de porta-aviões.

“Realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. A lei antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. Ninguém está acima da lei”.

O presidente brasileiro alertou para a ausência de ações em relação às questões climáticas, citou a ameaça do derretimento das geleiras no Himalaia e dos impactos de um super El Niño. Citou o Brasil como exemplo, da queda de 50% no desmatamento da Amazônia e o lançamento do fundo “Florestas Tropicais para Sempre” na COP 30.

O presidente brasileiro também criticou a imposição de barreiras comerciais e o “tarifaço” norte-americano, mas afirmou que, apesar disso, o Brasil alcançará exportação recorde. No fim do discurso, Lula citou o líder dos direitos civis Martin Luther King, e disse que aquilo que foi destruído por visões egoístas pode ser reconstruído por pessoas voltadas ao próximo. Após discursar, o presidente Lula se juntou à comitiva brasileira para ouvir o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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