Em decisão envolvendo a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), citou que há indícios de “um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais” e “menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC, o que pode significar uma dimensão interestadual”. Diante disso, o magistrado recomendou a atuação da PF (Polícia Federal) na investigação.
Dino menciona o nome de Alex Leandro Bispo dos Santos, ex-sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, que teria recebido repasses do ICB (Instituto Conhecer Brasil) no projeto “Wifi Livre SP”. O ICB pertence à Karina Gama, que também é dona produtora do filme Dark Horse.
No documento divulgado na tarde desta quinta-feira (10), o ministro do STF ressalta que notícias amplamente divulgadas apontam que, “segundo órgãos de inteligência da polícia, o empresário é membro relevante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado” de São Paulo. O homem estaria preso desde fevereiro deste ano em virtude de acusação de feminicídio, vindo a ser solto somente em agosto.
A decisão teve o sigilo retirado após a PF cumprir 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina Gama e o deputado Mario Frias (PL-SP) foram alvos.
Segundo a PF, as investigações apontam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados”, que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. A operação investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Operação Make Up
A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado Mario Frias foram alvos.
A operação, autorizada por Flávio Dino, apura suposto desvio de emendas parlamentares repassadas a organização da sociedade civil.
Os mandados da operação Make Up, realizada em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
O financiamento do filme “Dark Horse” é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.
Em março, Dino determinou que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”. Dino mandou o deputado prestar informações sobre “possíveis irregularidades” na execução dos recursos.
O parlamentar é produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura na gestão Bolsonaro. Em manifestação enviada ao Supremo, em maio, Frias negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social.
