Região
Rússia desvia exportações de grãos para o Mar Báltico após novos ataques
Os exportadores russos de grãos estão redirecionando carregamentos para o Mar Báltico, incluindo portos nos Estados Bálticos.
Os ataques de drones ucranianos no Mar Negro e no Mar de Azov forçaram a busca por rotas alternativas, disseram traders e analistas à Reuters nesta segunda-feira (31).
Rússia e Ucrânia têm atacado mutuamente terminais de exportação e embarcações graneleiras, criando a maior interrupção do comércio do Mar Negro desde que o conflito na Ucrânia começou há mais de quatro anos.
A Rússia exportou 46,3 milhões de toneladas métricas de grãos por meio dos portos de Azov e do Mar Negro na última temporada, de julho de 2025 a junho de 2026. Representando 90% do total das exportações russas de grãos por via marítima, segundo dados da indústria.
Enquanto os portos russos do Mar Báltico embarcaram cerca de 1 milhão de toneladas.
Segundo uma fonte da indústria, que pediu anonimato, os pedidos de remessas de grãos por ferrovia para os portos bálticos da Rússia atingiram 5 milhões de toneladas até 18 de agosto, principalmente para entrega em agosto e setembro. Em comparação com 6 milhões de toneladas para os portos do Mar Negro de Novorossiysk e Tuapse.
Os exportadores russos também estão recorrendo cada vez mais a portos nos Estados Bálticos, principalmente na Letônia, membro da UE e da OTAN, disseram analistas e traders, com expectativas de que os embarques aumentem drasticamente no próximo mês.
Apesar das relações tensas entre a Rússia e seus vizinhos bálticos, os carregamentos de grãos russos pelos países bálticos continuaram, embora tenham caído para cerca de 1 milhão de toneladas na última temporada, ante 2,5 milhões de toneladas dois anos atrás, de acordo com analistas.
“A região do Báltico, o noroeste, é o principal recurso agora”, disse Andrey Sizov, chefe da consultoria Sovecon. “Em setembro, acredito, veremos um aumento acentuado nos embarques através dos Estados Bálticos e dos portos russos do Báltico.”
OS PORTOS BÁLTICOS DA RÚSSIA TÊM MENOS CAPACIDADE
Arkady Zlochevsky, chefe da União Russa de Grãos, um grupo de lobby para agricultores, estimou que as exportações russas pelos Estados Bálticos podem alcançar entre 5 e 6 milhões de toneladas nesta temporada, ou até 10 milhões de toneladas caso os portos estonianos também fiquem disponíveis.
Sizov, da Sovecon, estima as exportações potenciais pelos portos dos Estados Bálticos entre 200.000 e 400.000 toneladas por mês, o que equivale ao dobro de sua estimativa para os terminais russos do Báltico.
A capacidade combinada de movimentação de grãos nos três Estados Bálticos excede 18 milhões de toneladas anualmente, mas essas instalações também lidam com grãos de outras origens na Europa.
Os Estados Bálticos já foram importantes portas de entrada para exportações de petróleo e fertilizantes russos, mas, à medida que as relações se deterioravam, a Rússia buscou desenvolver sua própria infraestrutura de navegação.
Quando a Rússia se tornou um player importante no comércio global de agricultura e a maior exportadora de trigo do mundo, construiu terminais de grãos nos portos de Vysotsk e Ust-Luga. Os grãos também podem ser embarcados por meio dos portos de São Petersburgo e Kaliningrado.
Os portos russos no Mar Báltico possuem uma capacidade total estimada de até 7 milhões de toneladas de grãos por ano.
Apesar da expansão, a capacidade não é suficiente para substituir totalmente os portos de Azov e do Mar Negro.
Zlochevsky, da União Russa de Grãos, estima que, na melhor das hipóteses, todos os outros portos russos combinados, bem como o transporte terrestre, conseguiriam lidar com apenas cerca de metade dos embarques que normalmente passariam pelos portos de Azov e do Mar Negro.
(Reportagem de Olga Popova e Gleb Stolyarov; Edição de Gleb Bryanski e Susan Fenton)
Nexus/BTG: Lula tem 39% das intenções de voto no 1º turno; Flávio, 33%
A nova rodada do levantamento Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (31), indica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto em um cenário simulado do primeiro turno das eleições de 2026. Em seguida, aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33% da preferência e o Escritor Augusto Cury (Avante) com 11%, oscilando positivamente fora da margem de erro em comparação com o último levantamento quando registrava 2%.
Na sequência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, o coordenador do MBL Renan Santos (Missão), com 3%.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e a vice-presidente nacional da UP, Samara Martins, registram 1% cada.
Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Wilson Grassi Júnior (DEM) e Clariana Barão (DC), não pontuaram nesta rodada.
Do total de entrevistados, 3% disseram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, enquanto outros 3% disseram não saber ou não responderam.
Segundo cenário
O instituto testou um segundo cenário incluindo o empresário Pablo Marçal (PRTB) no páreo. Mesmo inelegível, Marçal registrou sua candidatura à Presidência no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no dia 15 de agosto.
Neste cenário, Lula aparece com 37%, Flávio com 31%, Cury com 11%, Caiado com 6%, Marçal e Renan Santos, ambos com 3%, Zema com 2% e, por fim, Samara e Grassi com 1% cada.
Rui Costa Pimenta, Hertz Dias, Edmilson Costa e Clariana Barão, não pontuaram neste cenário.
São 3% os que disseram votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos e 2% disseram não saber ou não responderam.
Metodologia
A pesquisa Nexus entrevistou 2.005 eleitores, entre os dias 28 e 30 de agosto, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-08900/2026.
Confira a íntegra do levantamento abaixo
Análise: Irã perde influência sobre Ormuz após seis meses de guerra
Uma ideia começou a se consolidar sobre a guerra com o Irã: o Irã venceu.
O argumento é direto. Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã durante semanas, causaram enormes danos e exigiram grandes concessões. O Irã se recusou a se render. Seu governo continua no poder. Seus mísseis continuam sendo uma ameaça em toda a região. E, principalmente, Teerã ainda tem capacidade de interromper a navegação pelo Estreito de Ormuz, impondo custos maiores de energia aos Estados Unidos e a grande parte do mundo. Durante o verão, Trump alertou para uma depressão global caso o estreito permanecesse fechado.
É um argumento forte. Mas pode ter se mostrado prematuro.
Guerras são disputas de poder de pressão e resistência. E essa disputa parece muito diferente de apenas alguns meses atrás.
A quarta fase
A trajetória deste conflito de seis meses ocorreu em quatro fases. A primeira começou com intensos ataques aéreos em 28 de fevereiro e durou seis semanas de operações militares de alta intensidade. A segunda começou com o cessar-fogo de 7 de abril e as negociações, culminando no memorando de entendimento assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em 17 de junho. A terceira começou semanas depois, quando o Irã voltou a atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, levando a outra rodada de confrontos militares entre os dois lados.
Foi naquele momento que aumentaram os pedidos para que os Estados Unidos efetivamente desistissem e cedessem o controle do Estreito ao Irã. Os Estados Unidos pareciam ter ficado sem opções.
Não tão rápido.
Desde meados de julho, os Estados Unidos retomaram o bloqueio militar aos portos iranianos e as sanções contra o comércio de petróleo do Irã. Paralelamente, os militares americanos trabalharam incansavelmente para liberar as rotas de navegação e ajudar a proteger navios comerciais que transitam pelo estreito. O resultado foi um bloqueio efetivo às exportações de petróleo iranianas, enquanto os embarques globais se recuperaram e os preços da energia permaneceram surpreendentemente estáveis. A Bloomberg informou nesta semana que o fluxo de petróleo pelo estreito havia se recuperado para dois terços dos níveis anteriores à guerra.
Isso significa que a pressão agora está se acumulando sobre o Irã, e não sobre os Estados Unidos. E, se o Irã perder sua capacidade de manter o estreito como refém, seu poder de pressão desaparecerá rapidamente.
Uma estratégia melhor para os EUA
O Irã entrou na guerra enfraquecido por anos de sanções e má gestão econômica. Sua posição hoje é consideravelmente pior.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia iraniana deve encolher mais de 5% neste ano, com a inflação se aproximando de 70%. O valor da moeda iraniana caiu acentuadamente. Os preços dos produtos básicos dispararam. Um funcionário do Ministério do Trabalho do Irã estimou recentemente que mais de 1 milhão de empregos desapareceram apenas nos três primeiros meses da guerra.
Esses números são importantes porque a capacidade do Irã de sustentar o conflito depende, em última instância, de mais do que seu arsenal de mísseis remanescente. Antes da guerra, o regime iraniano enfrentava uma pressão pública sem precedentes contra seu governo repressivo e sua economia em crise. Milhares de iranianos teriam sido mortos nas ruas.
Uma estratégia americana melhor desde o início poderia ter sido uma campanha econômica para apoiar os iranianos que exigiam mudanças. A primeira fase da guerra — que eliminou a maior parte das lideranças iranianas — resultou na consolidação da Guarda Revolucionária e em novas repressões contra a maioria dos iranianos que se opõem ao regime.
Mas a Guarda precisa de recursos para governar pela força, e essa nova quarta fase — um embargo militar — é algo que o Irã nunca havia enfrentado antes. Na verdade, esta é a primeira vez desde a Revolução de 1979 que o Irã enfrenta uma quarentena sobre sua linha vital econômica através de Ormuz.
A saída para o Irã é parar de ameaçar navios no estreito e abandonar o que resta de seu programa de enriquecimento de urânio, em grande parte destruído. É um acordo que Trump aceitaria. Fazer qualquer uma das duas coisas, no entanto, do ponto de vista da Guarda, demonstraria fraqueza e ameaçaria seu governo.
As cartas do Irã
Teerã pode tentar lutar para sair desse estrangulamento. Sua estratégia nas três primeiras fases era clara: ameaçar o comércio no estreito, elevar os preços globais de energia e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentar a pressão econômica global e, por fim, forçar Trump a recuar, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.
O Irã também atacou a infraestrutura energética dos países do Golfo e poderia fazer isso novamente. Sua força por procuração no Iêmen, os houthis, ameaçou fechar o comércio no Mar Vermelho com mísseis e drones iranianos.
Tudo isso significaria recorrer às mesmas táticas das primeiras fases da guerra. Estrategicamente, isso não funcionou para o Irã. Os países do Golfo não estão satisfeitos com a guerra, mas a maioria não apoia ceder às exigências que consideram de extorsão do Irã no estreito. As tentativas iranianas de fechar o estreito com drones e minas também estão agora — pela primeira vez — fracassando.
Portanto, eu não descartaria o risco de uma escalada iraniana à medida que a pressão econômica aumenta. Mas isso pode não ser suficiente, neste momento, para reduzir essa pressão. Trump parece muito mais comprometido do que os líderes iranianos aparentemente imaginavam.
Ponto de ruptura
Líderes iranianos e muitos analistas ocidentais projetam uma imunidade à pressão. O Irã nunca abandonará seu programa nuclear, nem o Estreito de Ormuz. Nem seus grupos aliados terroristas na região.
Isso é algo que todos nós devemos aceitar como um fato da vida no Oriente Médio, segundo Teerã.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, argumentou na semana passada que o bloqueio e a pressão das sanções estão “fadados ao fracasso”, assim como, segundo ele, todas as outras campanhas que fracassaram em mudar a política iraniana.
Eu costumava ouvir a mesma coisa de especialistas sobre o Estado Islâmico, quando liderava a campanha para derrotar o grupo. E sobre o Hamas, quando negociava a libertação dos reféns mantidos em Gaza.
Na verdade, todos têm um ponto de ruptura. O Irã achou que havia encontrado o de Trump. Trump pode ainda encontrar o deles. É cedo demais para dizer.
Não é a última fase
Essa disputa, de alguma forma, pode durar até o fim da presidência de Trump e além. Ela está em andamento há quase cinco décadas.
As fases anteriores desta guerra foram prejudicadas, do lado americano, por objetivos que mudavam e eram mal definidos, posições amplamente contraditórias e declarações inconsistentes.
Mas a quarta fase parece diferente. Os militares dos Estados Unidos têm um objetivo claro, conforme descrito nesta semana pelo comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper. Trata-se de fazer cumprir o bloqueio ao Irã e facilitar a circulação de tráfego comercial.
O objetivo dos Estados Unidos também deveria ser claramente definido. O Irã deve abandonar suas reivindicações sobre o estreito e abrir mão do programa de enriquecimento nuclear. Até lá, este será o novo status quo.
E esse status quo — talvez pela primeira vez desde o início da guerra — agora favorece Washington, e não Teerã.
Sobre o autor: Brett H. McGurk é analista de assuntos globais da CNN e ocupou cargos de alto escalão na área de segurança nacional durante os governos de George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden.
Bolsas da Europa operam mistas com nova alta do petróleo
As bolsas europeias têm desempenhos divergentes nesta segunda-feira (31), com as ações de empresas do setor petrolífero ajudando a alavancar índices referenciais como os de Madri e Lisboa. Feriado bancário mantém negócios parados em Londres.
Por volta das 6h40 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 cedia 0,12%, para 654,38 pontos. No mesmo horário, a Bolsa de Paris subia 0,03% e a de Frankfurt recuava 0,64%. Já Milão, Madri e Lisboa tinham altas de 0,29%, 0,09% e 0,50%, respectivamente.
Os contratos futuros do petróleo aceleravam alta para mais de 3%, após os EUA realizarem seus primeiros ataques em semanas, atingindo dois lançadores iranianos no Estreito de Ormuz.
O Irã ameaçou revidar. A retomada das hostilidades reduz as perspectivas de retorno à normalidade na via marítima, que normalmente transporta 20% do fornecimento global de petróleo.
Entre ações individuais, a petrolífera Repsol subia 2,6% em Madri, figurando como a maior alta porcentual do Ibex-35, principal referencial do mercado acionário espanhol. A Galp subia 1,9% em Lisboa e a TotalEnergies avançava 1,3% em Paris. A Tenaris, siderúrgica que produz tubos para o setor petrolífero, ganhava 2,6%.
Em Frankfurt, a Siemens Energy cedia 3,4% e estava no topo como a ação com maior queda porcentual dentro do DAX, seguida pela Vonovia e Heidelberg Materials, com perdas de 1,8% cada.
Esta semana, o foco estará na divulgação dos dados de inflação e desemprego da zona do euro (terça-feira), visto que os membros do Banco Central Europeu entram em período de silêncio antes da reunião de 10 de setembro, segundo o CaixaBank.
Os dados finais do PMI de agosto também serão divulgados esta semana. Nos EUA, o foco estará no relatório de emprego (sexta-feira).
Bolsas da Ásia fecham sem direção única com Shein e BYD no radar
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta segunda-feira (31), enquanto investidores operaram sob efeito de nova escalada bélica no Oriente Médio e no aguardo de dados nos EUA.
Na China, o índice de gerentes de compras industrial subiu acima do esperado, ainda que permaneça no território de contração. Em Hong Kong, investidores derrubaram ações da BYD e acompanham a Oferta Pública Inicial da Shein.
O índice japonês Nikkei caiu 0,1% em Tóquio, para 66.311,93 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 0,46% em Seul, para 6.820,02 pontos, com gigantes de semicondutores Samsung Electronics (1,2%) e SK Hynix (1,3%).
Em Hong Kong, o Hang Seng terminou com baixa marginal de 0,07%, a 25.566,99 pontos.
A Shein teria captado US$ 1,7 bilhão em seu processo de fixação de preço no IPO em Hong Kong, o que confere um valor de US$ 26 bilhões para a empresa famosa por suas blusinhas baratas, segundo fontes à Bloomberg. A estreia na bolsa deve ocorrer na terça-feira (1º).
As ações da BYD caíram 5,2%, apesar de a montadora ter relatado uma recuperação em seu lucro no segundo trimestre. Enquanto as operações da BYD na China continuam enfrentando dificuldades, a companhia tem encontrado espaço para impulsionar seu desempenho em mercados internacionais.
No Brasil, a BYD atingiu um marco histórico na fabricação de chassis de ônibus elétricos, produzindo mil unidades na fábrica de Campinas (SP).
Duas empresas chinesas de tecnologia devem levantar, juntas, cerca de US$ 900 milhões em ofertas em Hong Kong, reforçando uma fila de listagens que tornou a cidade o mercado mais movimentado do mundo para novas ofertas neste ano.
A Shenzhen Longsys Electronics e a Excelland Robotics protocolaram documentos na Bolsa de Valores de Hong Kong na segunda-feira.
Já o Taiex cedeu 0,44% em Taiwan, para 46.128,47 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,86%, para 3.986,30 pontos, e o Shenzhen Composto ganhou 0,6%, para 2.565,55 pontos. O PMI oficial subiu ligeiramente para 49,8 em agosto, superando a previsão de 49,6 dos economistas consultados pela FactSet.
Na Oceania, a bolsa australiana fechou em baixa, com recuo de 0,18% do índice S&P/ASX 200 em Sydney, para 9.076,00 pontos.
Esposa de Lito Sousa diz que ele pode ser 1º testado em pesquisa; entenda
Mila Seidl, 41, esposa de Lito Sousa, 59, contou em entrevista ao programa “Fantástico” que o influenciador pode ser o primeiro ser humano testado em uma pesquisa.
“Eu não posso falar o nome [da empresa] agora, mas a gente talvez consiga alguma coisa. O Lito talvez seja a primeira pessoa a testar esse medicamento em humanos”, afirmou.
Ela contou que o medicamento já foi testado in vitro, peixes, macacos e camundongos. “Diante do que a gente tem, a gente não tem nada, certo? Temos uma sentença, então a gente está disposto a assumir esse risco e tentar ter um desfecho diferente”, disse.
Mudança de vida
A esposa do influenciador contou também que a vida deles mudou de forma rápida devido à doença. Segundo ela, apesar das dificuldades, o casal busca desfrutar do que há de positivo neste momento.
“Quando você tá no meio do furacão, tem coisas tão pequenas que são uma vitória. Você comemora coisas que são imperceptíveis para uma pessoa que está vivendo uma vida normal. A vida muda completamente de sentido”, destaca.
Diante do rápido avanço da doença e do comprometimento das capacidade físicas de Lito Sousa, Mila explica que o tempo que tem com o marido é “a moeda mais valiosa”.
Na rotina de hospital, ela disse que passou a ver mais valor nas pequenas coisas e no cuidado que um tem com o outro: “A gente é feliz dentro da nossa infelicidade. A gente consegue ser feliz ali no hospital.”
Entenda o quadro de Lito Sousa
O influenciador confirmou que havia sido diagnosticado com um câncer de próstata em julho. Em agosto, ele afirmou que, enquanto fazia o tratamento, tinha uma dormência no braço e, ao investigar o sintoma, foi descoberto um quadro de inflamação no cérebro.
Em 21 de agosto, a esposa de Lito confirmou que, após a investigação, o marido havia sido diagnosticado com uma doença rara chamada Creutzfeldt-Jakob (CJB), condição que rapidamente o fez perder a capacidade motora. Ainda não há cura nem tratamento para o quadro.
Canetas emagrecedoras desafiam indústria de alimentos, mostra estudo
A indústria de alimentos enfrenta um novo e significativo desafio com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base do composto GLP-1. Fabricantes de produtos industrializados têm testado estratégias para conquistar consumidores que perdem o apetite em razão do uso dessas substâncias.
De acordo com um estudo da Scanntech Brasil, o uso do GLP-1 pode reduzir em 0,49% o volume total de alimentos vendidos em supermercados. As bebidas devem registrar queda de 0,91%, os perecíveis embalados de 0,66% e a mercearia de 0,53%.
Categorias como cervejas, petiscos, snacks, chocolates e biscoitos também estão entre as mais impactadas.
GLP-1 como catalisador de uma nova tendência de consumo
Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech Brasil, avalia que o GLP-1 não criou a tendência de consumo saudável, mas a acelerou de forma sem precedentes. “O GLP não é um provocador de uma onda de saudabilidade, ele é um catalisador”, afirmou.
Segundo ela, a indústria já vinha observando o crescimento de categorias ligadas à saúde e às práticas esportivas, mas a entrada do GLP no mercado escalou esse movimento em velocidade inédita.
Como resposta, fabricantes têm apostado em produtos proteicos, mudanças nas embalagens e reformulações voltadas à construção de massa muscular.
Priscila Ariani destacou ainda que o perfil do usuário de GLP é o de um consumidor intenso — alguém que, proporcionalmente, consome mais do que a média em categorias como cerveja e produtos indulgentes. “O usuário de GLP é um usuário heavy user das categorias”, explicou.
Por isso, mesmo que o percentual de usuários seja relativamente pequeno, o impacto no volume de vendas é expressivo. Atualmente, 14% da população brasileira já usa ou já utilizou o medicamento. Considerando também quem convive com esses usuários, o chamado “efeito halo” alcança 21% da população.
Queda da patente pode triplicar o número de usuários
Com a queda da patente da semaglutida — molécula de entrada entre os medicamentos GLP-1 — e a chegada de versões genéricas ao mercado, o cenário deve se transformar de forma ainda mais intensa.
A pesquisa da Scanntech Brasil indica que 37% dos 86% da população que ainda não utiliza o medicamento declararam alta ou altíssima probabilidade de uso caso o preço diminua. Somando esse potencial aos 14% já usuários, o estudo projeta que o alcance pode chegar a 46% da população.
“A gente está falando que a gente sai de um 14% para 46% da população”, disse Priscila Ariani, ressaltando que esse número representa um teto potencial, sem prazo definido para ser atingido.
A especialista também chamou atenção para a existência de um robusto mercado informal de GLP-1 no Brasil, com doses aplicadas em clínicas de estética, dermatologistas e produtos vindos do Paraguai. Antes da queda da patente, estimava-se que 55% das doses consumidas eram informais e apenas 45% formais.
Após a queda da patente, essa proporção se inverteu, com as doses formais passando a representar 17% a mais do que as informais. “Parte dessa queda de patente é uma formalização do consumo”, avaliou Priscila Ariani.
Ela e o entrevistador reforçaram a importância de os consumidores buscarem apenas produtos regulamentados e aprovados pela Anvisa, evitando medicamentos contrabandeados ou sem fiscalização adequada.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
Análise: Após seis meses, guerra no Irã chega a um impasse de alto custo
A guerra com o Irã chegou à sua fase decisiva: um impasse de alto custo.
Seis meses após forças dos EUA e de Israel atacarem o Irã — matando seu líder supremo e ferindo seu filho e sucessor —, o governo iraniano encontra-se sob cerco econômico, mas ainda detém o poder e acredita que o tempo joga a seu favor.
A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor novas sanções paralisantes ao Irã enfrenta um problema fundamental: Teerã aposta que ele não dará o passo decisivo para romper o impasse — isto é, aplicar de forma agressiva sanções secundárias contra os países que mantêm a economia iraniana ativa, principalmente a China e a Índia.
As medidas mais recentes de Washington, anunciadas na última segunda-feira (24), marcam uma nova fase no conflito iniciado em 28 de fevereiro, deslocando o campo de batalha de mísseis e ataques aéreos para as receitas do petróleo, os bancos e os parceiros comerciais do Irã.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos cortarão as linhas vitais financeiras que sustentam a economia iraniana, enquanto um bloqueio naval liderado pelos EUA restringe as exportações de petróleo de Teerã e seu acesso a moedas fortes.
“A administração (Trump) está tateando de forma quase desesperada para tentar encontrar uma saída para isso”, disse Aaron David Miller, ex-diplomata dos EUA e pesquisador sênior do Carnegie Endowment.
Ao anunciar as sanções, Bessent fez uma analogia com o Dia D — o desembarque na França em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial —, mas Miller comentou: “Para mim, isso não é o Dia D. É o Dia do Desespero. Não acredito que a administração esteja mais perto de encontrar uma saída para essa situação.”
Bloqueios e sanções
Michael Knights, chefe de pesquisa da Horizon Engage — uma consultoria estratégica sediada em Nova York —, afirmou que o bloqueio pode se mostrar mais impactante do que as próprias sanções, uma vez que o desafio imediato do Irã já não é apenas sobreviver à pressão econômica, mas sim romper com ela.
Teerã passou décadas se adaptando a sanções e resistiu a campanhas anteriores de “pressão máxima” sem alterar seu comportamento, observou ele. A crescente pressão econômica, segundo Knights, pode aumentar o incentivo do Irã para elevar o custo do confronto para seus adversários, pressionando os Estados do Golfo — especialmente a Arábia Saudita — a levar Washington a buscar uma saída diplomática.
O pesquisador afirmou que o Irã poderia adotar cada vez mais o modelo utilizado por seus aliados Houthis no Mar Vermelho: ataques periódicos, negociações intermitentes e uma campanha prolongada de perturbação — sem chegar a uma guerra total —, visando potencialmente o transporte marítimo, portos, infraestrutura energética ou outros ativos críticos, de modo a tornar o conflito cada vez mais custoso para os Estados do Golfo suportarem.
Washington rejeita essa avaliação e afirma que o equilíbrio de poder joga a seu favor.
“A economia iraniana está em queda livre e as forças armadas do regime foram dizimadas”, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, em resposta a perguntas para esta matéria. “O presidente Trump detém todas as cartas, e estamos cortando todas as tábuas de salvação financeira que restam ao regime.”
Autoridades iranianas desprezam a estratégia dos EUA
Alan Eyre, um ex-diplomata dos EUA que trabalhou com questões relacionadas ao Irã, questionou se Washington possui o apoio internacional e a maquinaria burocrática necessários para garantir a eficácia das sanções.
Ele observou que, ao contrário da campanha multilateral que antecedeu o acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as grandes potências — o qual restringiu o programa nuclear iraniano em troca do levantamento de sanções —, as medidas mais recentes baseiam-se em ameaças públicas, em vez de uma diplomacia sustentada com aliados e parceiros comerciais.
Autoridades iranianas descartam a estratégia dos EUA, classificando-a como a repetição de uma cartilha que já fracassou. Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters que países como a China não deixariam de cooperar com o Irã simplesmente para atender aos interesses dos EUA.
Alguns analistas políticos apontam uma falha mais profunda na estratégia: da Coreia do Norte à Rússia e ao próprio Irã, as sanções raramente forçaram governos a abandonar objetivos que consideram existenciais para sua sobrevivência.
A autoridade iraniana de alto escalão afirmou que Teerã acredita que o objetivo mais amplo de Washington é alimentar o descontentamento interno, na esperança de que as dificuldades econômicas possam, eventualmente, transformar-se em agitação política; no entanto, a campanha de “pressão máxima” fracassou durante o primeiro mandato de Trump e fracassaria novamente.
“Se a pressão aumentar, a abordagem do Irã também mudará”, disse ele, acrescentando que os governos árabes do Golfo compreendiam que pressionar ainda mais Teerã poderia colocá-los também em maior risco.
Ameaça de agitação para os líderes do Irã
Para os governantes do Irã, a maior ameaça pode não ser o sofrimento econômico em si. Pode ser o risco de que o agravamento das dificuldades resulte novamente em agitação popular em massa, segundo fontes internas e uma autoridade iraniana.
A inflação anual atingiu 66% em julho, enquanto os preços ao consumidor estavam 87,9% mais altos do que um ano antes, segundo o Centro de Estatísticas do Irã. Os preços dos alimentos subiram 128% em relação ao ano anterior.
O presidente Masoud Pezeshkian reconheceu a gravidade da situação na semana passada, afirmando: “Nossos problemas se multiplicaram várias vezes, enquanto nossa renda também caiu.”
Insatisfações econômicas têm desencadeado repetidamente protestos em todo o país nos últimos anos. Em janeiro, manifestações motivadas pelas dificuldades econômicas foram reprimidas pela Guarda Revolucionária e pela milícia Basij, resultando em milhares de mortes.
A nomeação, neste mês, de Hossein Taeb — um dos principais arquitetos de repressões anteriores — para liderar o Basij foi um dos sinais mais claros até agora da preocupação oficial com uma nova onda de agitação, disse uma ex-autoridade reformista. O Basij, uma força paramilitar ligada à Guarda Revolucionária, tem sido frequentemente mobilizado pelos líderes religiosos do Irã para reprimir protestos.
Isso aponta para um paradoxo no cerne da estratégia de Washington: as sanções podem agravar os danos econômicos do Irã sem forçar seus governantes a mudar de rumo. Historicamente, a liderança iraniana responde à agitação interna com repressão e à pressão externa com ameaças de retaliação no exterior.
“Impasse perigoso”
Para os Estados do Golfo, o cálculo é particularmente complexo.
Eles preferem a pressão econômica e diplomática a uma nova guerra, mas temem um desfecho que permita ao Irã declarar vitória e, ao mesmo tempo, manter a capacidade de interromper o tráfego no Estreito de Ormuz — uma rota vital para o abastecimento global de petróleo que Teerã já bloqueou efetivamente, elevando os preços globais do petróleo.
Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center (sediado na Arábia Saudita), afirmou que os governos do Golfo não estão convencidos de que as sanções sozinhas possam alterar rapidamente o comportamento do Irã, dada a resiliência da liderança e sua capacidade de manter o controle interno.
Mudanças políticas significativas, ou o colapso da liderança teocrática do Irã, dificilmente ocorrerão rapidamente, disse ele.
O resultado é um impasse perigoso, caso as negociações mediadas não levem a um avanço significativo. Washington quer que o Irã abra mão de sua influência sobre o Estreito de Ormuz sem conceder a Teerã um papel na gestão da via navegável; o Irã quer o fim do bloqueio naval dos EUA sem parecer que se rendeu; e os Estados do Golfo querem conter o conflito sem permitir que o Irã saia vitorioso.
Putin assina decreto para controlar infraestruturas críticas após ataques
O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que confere ao governo poderes para assumir temporariamente o controle de “infraestruturas críticas” em todo o país, caso os proprietários privados não consigam protegê-las de ataques ucranianos em escalada.
A nova medida surge num momento em que Moscou e Kiev intensificam suas campanhas aéreas; ataques ucranianos em profundidade no território russo têm provocado escassez de combustível e aproximado a realidade da guerra dos cidadãos russos comuns.
Kiev intensificou, nos últimos dias, os ataques contra centros logísticos da Ozon na Rússia — uma concorrente da gigante do comércio eletrônico Wildberries, frequentemente alvo de ataques — na tentativa de enfraquecer a economia de guerra de Moscou. O decreto, que entrou em vigor na segunda-feira (24), afirma que as novas medidas estão sendo implementadas “em razão das crescentes ameaças à segurança de instalações de infraestrutura crítica da Federação Russa”.
Segundo o decreto, a medida abrange diversos setores, incluindo infraestrutura de combustíveis e energia, comunicações, instalações de transporte e logística, entre outros.
Caso os proprietários não adotem medidas suficientes para garantir a “segurança” de tais instalações ou não restaurem seu funcionamento com rapidez suficiente após ataques, o governo pode decidir implementar uma “administração temporária”, estabelece o decreto. Na prática, isso transfere para o Estado russo o controle sobre a propriedade, os direitos de propriedade e as ações do proprietário.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou na última terça-feira (25) que, “com bastante frequência, os proprietários de empresas não dedicam a devida atenção à adoção de medidas para garantir a segurança, incluindo a proteção contra drones”.
Ele também apontou o apoio das nações ocidentais a Kiev como outra razão pela qual Moscou “precisa tomar medidas” para, segundo suas palavras, “garantir a nossa própria segurança”.
Questionado sobre quais empresas poderiam ser afetadas pelo decreto, Peskov disse aos repórteres que a situação seria “analisada principalmente pelo governo e pelos órgãos competentes”.
“Sempre que medidas de segurança não estiverem sendo adotadas em áreas críticas, propostas nesse sentido serão apresentadas”, acrescentou.
Paralelamente, a Rússia tem realizado cada vez mais ataques com mísseis de alta velocidade em toda a Ucrânia, aproveitando-se da escassez, em Kiev, de interceptadores de defesa aérea Patriot de fabricação americana — nos quais o país depende fortemente para abater mísseis balísticos. Essa escassez foi agravada por uma crise global de abastecimento em meio à guerra envolvendo o Irã.
A Rússia lançou dois mísseis e 150 drones contra a Ucrânia entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira; 124 drones foram abatidos, segundo a Força Aérea Ucraniana. Em meio à escassez de interceptadores, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Kiev recebeu um “pequeno número de mísseis Patriot”, informou nesta terça-feira (25) a agência de notícias estatal ucraniana Ukrinform.
“Também não direi qual país os forneceu — recebemos um pequeno número de mísseis Patriot. Não posso dizer quantos, mas são poucos. Precisamos de mais”, disse Zelensky em uma reunião com seu homólogo estoniano, segundo a Ukrinform.
