A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) espera concluir, até o fim deste ano, a certificação de uma tecnologia pioneira de decolagem automática de aviões desenvolvida pela Embraer.
“Estamos preparados para atender à demanda de certificação ainda no segundo semestre”, disse à CNN o diretor da agência Roberto Honorato, responsável por questões de aeronavegabilidade e segurança operacional.
“A Anac não será um caminho crítico para a liberação do sistema”, acrescentou Honorato, enfatizando que todos os protocolos de segurança estão sendo cumpridos, mas não há travas como escassez de quadros técnicos para a análise das demandas feitas pela Embraer.
Considerado inédito no mundo, o E2TS (sigla para Enhanced Takeoff System) está sendo desenvolvido pela fabricante brasileira para seus jatos da família E2, como o E175 e o E195. O sistema possibilita a decolagem automática dos aviões, etapa hoje feita manualmente pelos pilotos, ajustando o ângulo e o perfil de subida conforme parâmetros de voo e condições meteorológicas.
Conforme explicou o diretor da Anac, a tecnologia permitiria ao piloto apenas colocar o avião na cabeceira da pista, deixando a execução por conta da nova tecnologia e apenas supervisionando os procedimentos.
“O sistema busca a máxima eficiência na decolagem, propiciando a melhor curva de subida e garantindo economia de combustível”, afirmou Honorato.
Gastando menos querosene, os jatos poderão transportar mais carga e/ou ganhar mais autonomia de voo, o que pode viabilizar também rotas mais longas.
Ao apresentar o sistema, em feiras internacionais de aviação, a Embraer tem dito que o E2TS é particularmente vantajoso para operações em aeroportos com pistas curtas.
É o caso de Congonhas (SP), no Brasil, ou de aeroportos como London City (Inglaterra) e Florença (Itália), no exterior.
A tecnologia do E2TS considera fatores como o peso total da aeronave, o tráfego aéreo e as condições meteorológicas (como vento e chuva) para traçar a melhor curva.
Os computadores assumem o papel hoje exercido por seres humanos e manuais de fabricantes, mas a tripulação continua monitorando tudo e apta a intervir, se necessário.
A certificação de aeronaves é sempre feita pela autoridade aeronáutica do país de origem da fabricante. Depois, conforme preconizam acordos internacionais, é validada por outros países — como a FAA (Federal Aviation Administration) nos Estados Unidos.
É por isso que cabe à Anac, no caso da Embraer, fazer todos esses procedimentos. Trata-se de um processo diferente ao de outros setores.
Normalmente, na indústria, a certificação é feita somente depois que um produto é desenvolvido e testado. Na aviação, essa homologação segue todas as etapas do desenvolvimento da tecnologia.
Honorato disse que recentemente, por exemplo, houve um ensaio com condições de ventos cruzados, pouco comuns no Brasil, para ajudar no desenvolvimento e na certificação do E2TS. A Anac acompanhou todos os movimentos, as respostas do sistema, a reação dos pilotos.
A CNN procurou a Embraer com questionamentos sobre o calendário de certificação da decolagem automático e de adoção da tecnologia por companhias aéreas, mas ainda não obteve retorno.
