A Prefeitura de Curitiba corre para solucionar um problema que perdura há anos: fazer com que o Athletico se torne legalmente dono de três imóveis desapropriados para as obras da Arena da Baixada, um dos palcos da Copa do Mundo de 2014.
Já se passaram quase quatro anos desde 30 de novembro de 2022, quando as partes anunciaram dois acordos milionários para ressarcir a Prefeitura de Curitiba pelas desapropriações realizadas para a reforma do estádio rubro-negro.
Contudo, os contratos entre a Prefeitura e o Furacão, que encerraram anos de ruídos — a situação chegou a ser judicializada anteriormente — não previram uma situação básica: a necessidade de uma lei específica para a transferência da titularidade dos imóveis.
O UmDois Esportes noticiou o caso inusitado em setembro de 2025, com informações de que a administração municipal tentou fazer o repasse dos imóveis em dois cartórios diferentes, Barreirinha e Taboão, mas não conseguiu concluir o procedimento. Por se tratar de bens públicos, os cartórios se recusaram a registrar as escrituras de compra e venda e alegaram que elas só poderiam ser lavradas após a criação de uma lei municipal autorizativa.
Na ocasião, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) garantiu, em nota, que formalizaria o projeto de lei para ser enviado à Câmara Municipal de Curitiba (CMC) até dezembro do ano passado, o que não aconteceu até o momento.
Na semana passada, uma reportagem do site Plural apontou que a regularização patrimonial do clube ainda não foi concluída. Diante desse contexto, o UmDois procurou novamente a Procuradoria-Geral do Município.
A resposta foi de que a Prefeitura de Curitiba regularizou a titularidade de “grande parte dos imóveis”, que se referem aos outros 13 imóveis que serão transferidos ao Athletico. Contudo, a PGM informou que o projeto de lei “está em fase final” para ser remetido à Câmara.
“O Município conjugou esforços para regularizar a titularidade de grande parte dos imóveis para o encaminhamento do projeto de lei ao Legislativo, restando, porém, três imóveis que aguardam a conclusão da ação judicial para a averbação de transferência ao Município. Deste modo, o protocolo está em fase final de instrução processual para breve remessa à Câmara, contemplando os 13 imóveis que já constam em sua titularidade. Os três imóveis que ainda tramitam na esfera judicial ficarão para um segundo momento, assim que consumadas as etapas mencionadas”, aponta a explicação da Procuradoria-Geral do Município, em resposta ao UmDois na última sexta-feira (4).
Segundo apuração da reportagem, o texto chegou à Secretaria do Governo Municipal (SGM), setor responsável pelo envio do projeto de lei à Câmara de Curitiba. Contudo, a SGM tem um fluxo próprio para análise e formatação do texto, o que faz com que a PGM não possa indicar prazos para o envio à Câmara.
Relembre o acordo tripartite
O documento assinado em novembro de 2022 entre o então prefeito Rafael Greca e o presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia, foi fundamental para que um novo acordo tripartite finalmente saísse do papel e resolvesse as pendências referentes à reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.
Qual foi o valor total da reforma do estádio do Athletico?
Segundo o TCE-PR, a reforma do estádio foi realizada por R$ 346,2 milhões, com R$ 291 milhões financiados pela Fomento Paraná.
Entretanto, o valor da dívida alcançou R$ 590 milhões, sem a cobrança de multas e juros moratórios, após aprovação da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Com a aplicação das cláusulas, a quantia chegaria a R$ 1,2 bilhão.
Como ficou o pagamento da Arena da Baixada?
De acordo com o acordo tripartite, o Athletico vem fazendo os pagamentos à Fomento Paraná, responsável pelo financiamento da reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014.
O primeiro pagamento foi feito em 2023, com um PIX de R$ 50 milhões como entrada. Já a primeira parcela foi paga em 2024, no valor de R$ 67,6 milhões. Na metade de 2025, o clube pagou mais uma parcela de R$ 67,5 milhões. Além desses valores, o Athletico também pagou os honorários advocatícios, que chegaram a R$ 23,4 milhões. Com isso, o total já desembolsado pelo clube é de R$ 241,3 milhões.
Os números foram anunciados em reunião do conselho, realizada na metade de 2025. Neste ano, o clube ainda não divulgou, até o momento, se fez o pagamento anual. O que era projetado pela diretoria rubro-negra era o pagamento de uma parcela de R$ 61,1 milhões.
Já o Governo do Paraná e a Prefeitura de Curitiba deveriam pagar aproximadamente R$ 75 milhões cada, valor determinado após avaliação do Ministério Público do Paraná (MP-PR). O governo estadual cumpriu a obrigação em 2024, com confirmação da Fomento ao UmDois Esportes, de que a administração estadual repassou R$ 75 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), conforme determinado no acordo tripartite.
Já o pagamento da Prefeitura é feito por meio de títulos precatórios, mas o valor total diminuiu para R$ 43,3 milhões em 15 de junho de 2025. A quantia foi reduzida porque foi descontado o que o Athletico ainda devia ao município pelas desapropriações e pelo prédio de imprensa da Arena.
Na metade do ano passado, Petraglia disparou contra a Prefeitura de Curitiba, dizendo que a administração municipal não estaria cumprindo o que foi selado no acordo tripartite.
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Vinicius Cordeiro” itemprop=”image” data-src=”https://media.umdoisesportes.com.br/main/2026/08/vinicius-cordeiro.jpg” src=”https://media.umdoisesportes.com.br/main/2026/08/vinicius-cordeiro.jpg”>
Formado pela PUCPR, trabalhou por dois anos nas editorias de Esportes e Cidades da Gazeta do Povo. Entre 2019 e 2024, atuou como repórter em diversas coberturas de Política pelo Paraná Portal. Desde 2021, passou a atuar como editor da área de Esportes do site, com destaque para coberturas de Copa América, Olimpíadas e Copa do Mundo. Desde 2024, é repórter do UmDois Esportes, setorista do Athletico.
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