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Rússia desvia exportações de grãos para o Mar Báltico após novos ataques

por julianacamargo
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Os exportadores russos de grãos estão redirecionando carregamentos para o Mar Báltico, incluindo portos nos Estados Bálticos.

Os ataques de drones ucranianos no Mar Negro e no Mar de Azov forçaram a busca por rotas alternativas, disseram traders e analistas à Reuters nesta segunda-feira (31).

Rússia e Ucrânia têm atacado mutuamente terminais de exportação e embarcações graneleiras, criando a maior interrupção do comércio do Mar Negro desde que o conflito na Ucrânia começou há mais de quatro anos.

A Rússia exportou 46,3 milhões de toneladas métricas de grãos por meio dos portos de Azov e do Mar Negro na última temporada, de julho de 2025 a junho de 2026. Representando 90% do total das exportações russas de grãos por via marítima, segundo dados da indústria.

Enquanto os portos russos do Mar Báltico embarcaram cerca de 1 milhão de toneladas.

Segundo uma fonte da indústria, que pediu anonimato, os pedidos de remessas de grãos por ferrovia para os portos bálticos da Rússia atingiram 5 milhões de toneladas até 18 de agosto, principalmente para entrega em agosto e setembro. Em comparação com 6 milhões de toneladas para os portos do Mar Negro de Novorossiysk e Tuapse.

Os exportadores russos também estão recorrendo cada vez mais a portos nos Estados Bálticos, principalmente na Letônia, membro da UE e da OTAN, disseram analistas e traders, com expectativas de que os embarques aumentem drasticamente no próximo mês.

Apesar das relações tensas entre a Rússia e seus vizinhos bálticos, os carregamentos de grãos russos pelos países bálticos continuaram, embora tenham caído para cerca de 1 milhão de toneladas na última temporada, ante 2,5 milhões de toneladas dois anos atrás, de acordo com analistas.

“A região do Báltico, o noroeste, é o principal recurso agora”, disse Andrey Sizov, chefe da consultoria Sovecon.  “Em setembro, acredito, veremos um aumento acentuado nos embarques através dos Estados Bálticos e dos portos russos do Báltico.”

OS PORTOS BÁLTICOS DA RÚSSIA TÊM MENOS CAPACIDADE

Arkady Zlochevsky, chefe da União Russa de Grãos, um grupo de lobby para agricultores, estimou que as exportações russas pelos Estados Bálticos podem alcançar entre 5 e 6 milhões de toneladas nesta temporada, ou até 10 milhões de toneladas caso os portos estonianos também fiquem disponíveis.

Sizov, da Sovecon, estima as exportações potenciais pelos portos dos Estados Bálticos entre 200.000 e 400.000 toneladas por mês, o que equivale ao dobro de sua estimativa para os terminais russos do Báltico.

A capacidade combinada de movimentação de grãos nos três Estados Bálticos excede 18 milhões de toneladas anualmente, mas essas instalações também lidam com grãos de outras origens na Europa.

Os Estados Bálticos já foram importantes portas de entrada para exportações de petróleo e fertilizantes russos, mas, à medida que as relações se deterioravam, a Rússia buscou desenvolver sua própria infraestrutura de navegação.

Quando a Rússia se tornou um player importante no comércio global de agricultura e a maior exportadora de trigo do mundo, construiu terminais de grãos nos portos de Vysotsk e Ust-Luga. Os grãos também podem ser embarcados por meio dos portos de São Petersburgo e Kaliningrado.

Os portos russos no Mar Báltico possuem uma capacidade total estimada de até 7 milhões de toneladas de grãos por ano.

Apesar da expansão, a capacidade não é suficiente para substituir totalmente os portos de Azov e do Mar Negro.

Zlochevsky, da União Russa de Grãos, estima que, na melhor das hipóteses, todos os outros portos russos combinados, bem como o transporte terrestre, conseguiriam lidar com apenas cerca de metade dos embarques que normalmente passariam pelos portos de Azov e do Mar Negro.

(Reportagem de Olga Popova e Gleb Stolyarov; Edição de Gleb Bryanski e Susan Fenton)

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